Hey little boy, existem coisas que você precisa saber sobre o seu velho. Ele agora tem 20 anos e ainda esta perdido. Por muito tempo ele achou que ele se adaptaria, como tudo que vive hoje em dia.
O certo é que ele esteve errado este tempo todo.
Só foram necessários dois meses para 2012 mostrar que não seria fácil. Depois daí foi ladeira a baixo. E em absolutamente tudo na vida, ele soube recolher as asas e voltar para a sala de planejamento.
É isso que seu velho quer te ensinar agora.
Não basta sonhar que nem um louco, é necessario tempo. Paciência. E claro, um tiquin assim de sorte. As vezes a regra que ele utilizava no ensino médio se fez valer. Aquela que dizia “bem, se eu não aprendi isso na vida, eu não preciso aprender no colégio” e daí ele fazia as provas sem estudar.
E passava sempre de ano.
Então, não adianta resistir em certos casos. É preciso desistir logo, você não tem tanto tempo a perder. A vida te enche de possibilidades e seria bobeira ficar naquela por anos a fio.
Aproveite tudo que a vida lhe dá. E descarte logo aquilo que não dá certo.
Olha, é só disso que você precisa saber no momento, pois é a única coisa que ele sabe agora. Quando ele for responsável por ti, provavelmente ele vai ter mais o que dizer, até lá fica com essa imagem limitada daquilo que um dia foi teu velho.
Todo o dia é exatamente o dia exato para relembrar das coisas lindas da vida, que todavia são lindas apenas pela onipresença daquela linda, embora só nas lembranças já um tanto velhinhas.
Com um tiquin assim de esforço, você descobre um defeito. O efeito que desperta é só o começo de uma viagem rumo aquilo que sobrou, que aparentemente é tudo que há de bom, engenhados numa cabeça teimosa e independente, num corpo milimetricamente desenhado para te fazer pensar que estão de brincadeira que é possivel alguma pessoa ser tão linda.
Detentora do superpoder de emanar luz, calor e energia capazes de iluminar e aquecer uma cidade como new york por milhares de anos, te faz parar pra pensar que ninguém precisa de luz, calor ou energia quando se tem ela.
Ela que poderia ter tudo mas tá só de brincadeira fingindo que tá de bobeira por aí, só esperando o momento certo para dominar o mundo.
O seu mundo.
Sabe quando você ama tanto uma música que ela te dá energia, muda seu jeito de ver as coisas, te impulsiona, te anima, enfim, faz você se sentir vivo? Essa música tem nome pra mim:
Love Interruption, do Jack White.
Poderia gastar horas falando sobre como o Jack White, ao lado do Keith Richards e Noel Gallagher, tem muita influencia no meu aprendizado de guitarra. Sobre como a versão de “i just don’t know what to do with myself” dele foi a primeira musica que eu aprendi a tocar no violão e sobre como gosto do jeito dele de nao se importar com o instrumento, fazendo um som cru, com apenas uma distorção e muito reverb.
Mas eu quero falar sobre música e sobre o poder dela na vida das pessoas.
Cada pessoa sente uma musica diferente. Se não for ligeiramente comercial e pasteurizada, você consegue sentir algo. E eu sinto coisas ouvindo essa música.
Imagine você compositor, escreve algo e faz as pessoas pensarem, se emocionarem e etc. O conceito de arte é esse, e essa ideia é tremendamente fascinante! Se sua música consegue tocar a vida cotidiana de alguém a ponto de fazê-la pensar, você é um iluminado.
Músicos em geral tem magia, poder. Você sabe o que quero dizer
O mais engraçado ate então é que eu não consigo explicar o que é que essa danada dessa música desperta em mim. Um pouco de raiva, humor autopejorativo, esperança…. Não sei mesmo. O que sobre no final é uma grande, grande música.
Poucas foram as vezes em que realmente me devolveram alguma esperança. Vivendo como se estivesse levando ela nas mãos, não tendo nem pra onde correr do fato de que sempre vai cair um pingo no caminho.
Mesmo nunca tendo nenhum tipo de pretensão, sinto muito. De todas as coisas que eu deveria ter me focado, eu só me arrependo de ter vacilado neste ponto. Whatever, não tava mesmo no meu momento de me jogar numa grande piscina de insegurança e etc, não quero mais essa vida para mim.
E é nessa vibe que eu seguirei, sem nenhum tipo de compromisso em me fazer ser entendido por mais de uma pessoa, esperando ser lido por ela, só para sinalizar que eu ainda tô aqui.
Relembrando aquele março já um tanto distante, aquele mês maluco. Tava tentando me recuperar de um chute na boca que a vida me deu. Reencontrei os amigos, eles foram ótimos.
Conheci pessoas novas.
E eu fui tão estranho, tão desacostumado com a sociedade. Devo ter passado uma pessima impressao para as pessoas que me conheceram naquela época. Eu estava magro, triste e sem jeito para conversar.
Foram tempos difíceis.
Na volta pra casa, tirei uma foto de um arco-iro, um arco-iro de teresina. Depois daqueles dias eu recomecei. Renasci? Que megalomaniaco… Mas é bem isso.

Vocês nem tem noção de como eu gosto de vocês.
Foi o que disse aquele velhinho enquanto levávamos ele pra casa, na madrugada de hoje. Ele estava mal, tinha bebido muito, era um solitário abandonado pelas filhas e mulher…
E era hipertenso.
No primeiro momento, queríamos chamar uma ambulância, e pensando bem era o que tinhamos que ter feito. Mas depois, vimos que poderia ser só a bebida, ou a falta dos remédios dele. Ele estava severamente mal, mas o levamos(eu e o bruno) nos ombros até a sua casa.
Lá, notamos aquele clima meio pesado de solidão, alguns móveis, pouco movimento, e tudo arrumadinho. Parecia um filme de terror. ELe não estava de todo só, tinha um cara muito impaciente lá, provavelmente algum conhecido de vista que tava lá só pra ter onde dormir…
Voltar para onde estávamos foi o mais difícil.
O velhinho agradecia e chorava enquanto íamos embora. No caminho(e estou hesitando para escrever isso), meus olhos ficaram marejados. Eu até tentei controlar isso, mas foi tudo em vão.
Pensei em meu pai, em mim, nos idosos. Não cheguei a conclusão alguma sobre isso, só sei que estou sentindo algo bizarro que talvez consiga explicar depois.
Juventude não é para sempre, cara.
Trocentas coisinhas chatas para você rever enquanto esta com preguiça demais para pensar em uma boa desculpa para não fazer aquele favor em uma semana onde ficou claro que você fez amigos mas perdeu um bocado no processo.
Fui um garoto, um menino numa semana ruim.
E estou cansativo demais, chato demais. Cansando quem parece gostar de mim, enchendo de besteira quem vai com a minha cara. Tendo que conviver com coisas de ruim que acontecem por babaquice minha, dormindo com aquela resposta, perdendo a chance de ficar calado, levando uma sobra e etc.
Eu gostaria de amenidades. Com toddynho.
Quando essa semana acabar, eu vou tentar voltar a fingir que eu não sou o idiota que sou e parar com toda essa merda egocentrista que tá me fazendo enjoar de mim mesmo.
Tentar resolver os problemas que arranjei.
Vou tratar bem aquela garota legal e maluca que sempre diz coisas desconexas e me faz rir pra caramba! Pedir desculpas… Manter o silêncio enquanto o jovem músico tenta pegar uma música para ensaiar ali, na hora. Dar um tempo com pessoas que eu enchi a bola num nível estratosférico, e que não mereciam de jeito nenhum.
Esquecer essa vidinha coberta por um manto de idealizações e palavras bem colocadas, parar de viver de promessas e ser feliz com o que eu tenho.
E eu já tenho muito.
Hey mister dj eu não vou te desprezar, você é um talento. Não toca nada e nunca teve que ensaiar, só liga o equipamento.
Pega o seu fone, dança um pouco e aperta o play do Cd, e pagam pau pra você. A gente ensaia pra caralho e ainda divide o cachê, é, mas o que é que eu vou fazer?
Não tem coisa mais bizarra do que balada sem guitarra.
Pouca gente sabe mas antes de querer ser um rockstar eu era um músico de pagode. Com música própria, sucesso nos guetos da escola e essas coisas. Mas não durei muito no estilo que fez o Belo ser o que é.
Exato, um ex presidiário que casou com uma mulher que parece um homem.
O grupo “Batuque do Fundão” arrebatou corações apaixonados cantando coisas de amor, com seu sucesso “no rebolado da menina sensual”, revolucionou o cenário musical da escola.
A ideia de criar o grupo nasceu da inércia da escola, na sétima série do fundão em um colégio que tinha “robótica” e “xadrez” como matérias obrigatórias. Mesmo já ouvindo new metal e todas essas porcarias adolescentes que todo o radicalzinho metido a besta ouvia, a juventude precisava de um groove romântico que só o pagode poderia proporcionar.
E a gente tava de bobeira.
É sempre legal relembrar com os amigos dessa fase, e cantarolar nosso único sucesso:
“no rebolado da menina sensual(4x)”
Não é legal pensar em deus como se ele fosse o grande irmão que vigia seu cérebro como aquele stalker vigia seu facebook. Nunca fez sentido, nunca fará.
Tem também toda aquela coisa de que ele tem tudo planejado e etc,e ainda me daria livre arbítrio, como se fosse um grande computador que joga xadrez e pensa em milhoes de possibilidades de lance.
Eu não acredito. Mas eu não sei de nada, ninguém sabe.
Um dia eu e você vamos descobrir do que se trata realmente essa força comumente chamada de deus, mas isso de forma alguma tira a importância das religiões. É o que temos no momento.
E se tu precisa de força, é sempre bom ir a igreja.
Sempre tem alguém falando que o pastor vai pegar o dinheiro e gastar com carrões e helicopteros, que a igreja católica é suja e os padres pedófilos. Ninguém fala sobre os projetos sociais e a força que a igreja(seja ela qual for) dá. Tem sempre dois lados, claro(embora se perca a fé até aqui)
Sendo bem menos radical do que de costume, se algo que já foi provado ou pode ser facilmente racionalizado, esse algo é: faça aquilo que lhe parece o certo a se fazer. Até pq desconfio que os serial killers um dia pensaram “hey, matar pessoas é feio”.
Entende?
Um nível acima das religiões, está tudo que você acredita. Fazer o certo, o karma agindo, as coisas de ruim que acontecem contigo aleatoriamente(tipo a fonte do meu notebook quebrar junto com o cabo da minha guitarra) e que podem te fazer desistir…
As religiões, gente te trollando, você sendo estúpido, desistências… Você que sabe em que lado quer jogar.
Done.